Estudo mostra que o Brasil tem a maior quantidade de cursos privados com fins lucrativo no mundo, com mais da metade de suas vagas ociosas. Do outro lado do balcão, jovens continuam longe das salas de aula por não ter como pagar
O Brasil é o maior mercado do mundo de ensino superior privado. São quase mil instituições com fins lucrativos, com um faturamento anual de R$ 29,8 bilhões. Negócio lucrativo, em expansão, mas que não conseguiu equacionar a imensa dificuldade de acesso às universidades, o que faz com que o País ainda ostente uma triste estatística: em 2010, apenas 14,9% dos jovens entre 18 e 24 anos estavam num curso superior.
| Estudantes no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem): com vagas insuficientes nas universidades públicas, muitos ficam de fora do ensino superior por não ter dinheiro para as mensalidades |
E não é por falta de vagas. Só no Ceará, mais de 40% das vagas nas instituições privadas ficam ociosas. O que falta para os cerca de 950 mil jovens do País que deixam todos os anos o ensino médio sem conseguir ingressar num curso superior é dinheiro para pagar as mensalidades.
Essas é uma das constatações da Análise Setorial do Ensino Superior Privado 2012, um relatório de 162 páginas produzido pela Hoper Estudos de Mercado, ao qual O POVO teve acesso com exclusividade.
O estudo traça um claro diagnóstico do ensino superior no Brasil para indicar caminhos para ampliar o setor e transformar a realidade da educação do País. E uma das saídas identificadas é aumentar a oferta de financiamento estudantil.
Apena 17% dos jovens matriculados nas universidades brasileiras (cerca de 600 mil alunos) têm acesso a algum tipo de crédito ou subsídio, como o Fies e o Prouni, programas do Governo Federal. Outros 200 mil têm crédito bancário. Nos Estados Unidos, é oposto: 72% têm apoio financeiro para estudar, diz o estudo da Hoper.
Quando se verifica a renda dos estudantes que têm acesso à graduação – tanto nas instituições públicas como privadas, vê-se a origem de tanta dificuldade. Entre os que têm renda familiar superior a cinco salários mínimos (R$ 3.110 ou mais), mais de 50% tiveram acesso à universidade em 2010. Entre os que têm famílias com renda inferior a três salários (R$ 1.870 ou menos), o que representa quase 70% da população brasileira, esse percentual cai para menos de 15%.
No diagnóstico, preparado sob encomenda das instituições de ensino superior privado, a Hoper pontua que é necessário garantir bolsas de estudo para pelo menos 2 milhões de estudantes. Cobrança a ser levada ao Governo Federal.
Nas próximas páginas, O POVO detalha o estudo e fala da situação do Ceará, segundo Estado do Nordeste em número de matrículas em faculdades privadas na Capital (72.762 matrículas em 2010), perdendo só para a Bahia.
Por quê
ENTENDA A NOTÍCIA
O mercado do ensino superior privado se expandiu muito no Brasil nos últimos 15 anos, mas tem desacelerado pela redução da demanda por novas vagas, mesmo com a imensa fatia de jovens ainda longe das salas de aula.
NÚMEROS
14,9
percentual de jovens entre 18 e 24 anos matriculados em curso superior no País em 2010
29,8
bilhões de reais é o faturamento das instituições privadas de ensino superior no Brasil
Fonte: O POVO ONLINE







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